quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Movimentos sociais realizam debate sobre impactos do mineroduto da Ferrous em Conselheiro Lafaiete.


Em setembro movimentos sociais realizaram debate sobre os impactos sociais e ambientais do mineroduto da empresa multinacional Ferrous. O evento ocorreu no auditório da Secretaria Municipal de Educação do município de Conselheiro Lafaiete (MG).

A Ferrous, é uma empresa multinacional que projeta a instalação de um mineroduto que partirá de Congonhas (MG) até um porto em Presidente Kennedy (ES). É previsto a passagem em 22 municípios, entre eles Conselheiro Lafaiete. O debate contou com a participação massiva dos militantes do município de Viçosa, cidade que também vai ser atingida pelo mineroduto. Alan Kássio, membro da Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous, defendeu os direitos dos atingidos e disse que "as violações com o povo começam pela construção do projeto. O mineroduto é um empreendimento que fortalece a submissão do país e do povo brasileiro para uma economia baseada na exportação de matérias primas, em que as populações atingidas são excluídas dos processos de tomada de decisões sobre suas vidas”.

O debate foi conduzido pela bióloga e militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Letícia Oliveira. De maneira participativa e envolvente, a bióloga demonstrou como o a implantação do mineroduto na cidade de Lafaiete vai deixar estragos irreversíveis para as comunidades atingidas e para o sistema de abastecimento hídrico do município. Segundo Letícia, o processo de licenciamento da obra vem sendo executado de maneira autoritária e legitima as violações de direitos feitos pela empresa e afirma que “o proprietário que vai ser atingido não tem a opção de dizer não ao empreendimento, ele é obrigado a aceitar a sua passagem e receber uma indenização irrisória da empresa. Antes mesmo do inicio das obras as famílias já estão sofrendo, é invasão de propriedade privada, assédio moral, negociação sem critérios e o transtorno de pensar que podem perder suas casas e o laço simbólico que criaram com o ambiente onde residem”. A bióloga ainda lembrou que o mineroduto também projeta afetar área manancial de abastecimento de Lafaiete e que a COPASA, junto à Secretaria de Meio Ambiente do município estão atentos. “O mineroduto projeta atravessar a represa de captação da COPASA e atingir os principais rios afluentes da represa, trabalharemos para que mais pessoas fiquem sabendo da notícia e se organizem conosco para impedir a passagem da Ferrous”, afirma.

A militante da campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous, Lis Soares, enfatizou em sua fala  sobre os impactos ambientais que o mineroduto pode trazer aos municípios onde passará. O mineroduto pode intensificar os problemas no abastecimento de água em Viçosa, e afirma que “a cidade já falta água nas épocas de estiagem, se for permitida a passagem do mineroduto nas áreas mananciais do município, poderemos levá-lo a um colapso!”. Lis lembrou ainda que várias pesquisas foram realizadas e os resultados confirmam a inviabilidade do empreendimento, “a Associação de Geógrafos Brasileiros, o Centro de Apoio Técnico do MP, o SAAE e a Divisão de Água e Esgoto da UFV elaboraram pareceres comprovando os impactos do mineroduto na cidade, se esse empreendimento for autorizado, várias nascentes, matas, plantações, casas, vão ser destruídas por um projeto que só visa à ganância de uma empresa privada!”.

Luis Farofa, geógrafo e membro da Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB), relatou que a AGB fez um estudo dos impactos do mineroduto em uma bacia hidrográfica de Viçosa e que os dados levantados são alarmantes, “o Estudo de Impacto Ambiental- EIA feito pela empresa Ferrous é inconsistente! Na bacia do São Bartolomeu, em Viçosa, a empresa registrou 6 nascentes, nós, da AGB registramos 36. Isso mostra como a empresa manipulou dados do EIA para obter a licença ambiental. E com certeza, se realizarmos o mesmo estudo ao longo de todo o trajeto do mineroduto encontraremos mais nascentes omitidas e irregularidades no EIA da Ferrous”.

Osmir Camilo, presidente da ONG LESMA, relatou um episódio em que a Ferrous tentou se passar de empresa cidadã, mentido para a entidade. Para Osmir, “eles nos convocaram para uma reunião e apresentaram o projeto do mineroduto, assim como, as medidas compensatórias adotadas pela empresa. Uma delas, diz respeito à reforma de uma fazenda muito antiga de Lafaiete, tombada como patrimônio cultural do município. A Ferrous apresentou a reforma da fazenda como um “presente” para a população, mas omitiu a maneira como foi feito o despejo da família que ali residia. Eu conheço a família, são meus amigos, e eles foram despejados autoritariamente pela empresa, não queriam sair dali de maneira alguma, era o ganha pão deles. A Ferrous pagou uma indenização irrisória à família e hoje estão correndo atrás para se sustentar. Ou seja, eles tentaram nos enganar, se não tivéssemos conhecimento da maneira como foi despejada a fazenda, acreditaríamos que a Ferrous é uma empresa socialmente responsável, o que não é verdade!”.    

Ao final do debate, os presentes encaminharam algumas atividades para que toda a população de Lafaiete tome conhecimento dos males que estão por vir com a construção do mineroduto. O evento foi construído pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Liga Ecológica Santa Matilde (LESMA), Associação Regional de Proteção Ambiental (ARPA), Campanha Pelas Águas e Contra o Mineroduto da Ferrous, COPASA e SEMA. 

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